FUTEBOL ARTE x FUTEBOL DE RESULTADO
É, meus caros. A recente lista com os 23 jogadores escolhidos pelo técnico Dunga para representar a Seleção Brasileira na Copa da África do Sul, trouxe de volta a tona a discussão acerca do futebol arte e o futebol de resultados.
Não discordo da coerência do nosso comandante. Como jornalista, aliás, jamais posso deixá-la de lado para que possa ser entendido. E esse foi um ponto inquestionável na era Dunga, tamanho o apego e qualidade com que foi tratado..
No entanto, é exatamente aí que surge a primeira pergunta de resposta tão difícil, ou muitas vezes impossível.
Será que vale a pena ter um selecionado tão coerente e ao mesmo tempo tão pouco “chamativo” para o grande público?
O embate direto entre a Seleção de 1994 e a de 1982 dá a razão ao prezado capitão do Tetra. Os onze cabeças-de-bagre, ou melhor, nove, porque Bebeto e Romário eram dois dos melhores atacantes do mundo na época, trouxeram o caneco. Opa, perdoem-me a heresia, Taffarel foi quase tão importante quanto o baixinho, mas sua arte era, ironicamente, a de evitar aquilo que o camisa 11 mais sabia fazer. Gols.
Em contrapartida, Falcão, Toninho Cerezo, Eder, Zico, Junior, Socrates, enfim, praticantes do “Show Ball' profissional, caíram nas oitavas de final diante da Azurra.
Uns encantaram, outros ganharam. Uns puseram sorrisos no rosto dos amantes do futebol, outros os deixaram com a esperança e a convicção de que 1, isso mesmo, 1 ataque fosse suficiente para o nosso triunfo.
Qual dos estilos é melhor? Não sei, talvez 2010 no responda. Ou ao menos dê uma Copa de vantagem aos defensores de qualquer um dos estilos de comando.
Mas não para por aí. Faço agora uma pergunta aqueles que curtem a Copa do Mundo, aqueles que contam cada dia para que a próxima chegue e aqueles que, invariavelmente, colecionam o álbum oficial do torneio.
Bebeto, Romário, Ronaldo diversas vezes, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Fred, Adriano, enfim, são inúmeros os atletas que nos faziam parar na frente da televisão, certo? Que nos faziam sofrer, arrepiar e xingar aproximadamente 13 gerações dos mesmos. E agora, quais serão esses atletas?
Kaká surge como o principal nome para suprir essa ausência em nossos vazios corações. É craque, é gênio, mas infelizmente não tem o mesmo apelo popular dos anteriormente citados. Robinho é uma outra opção. Pode ser que com dribles, chapéus, rolinhos, canetas e entortadas ele nos faça esquecer os esquecidos por Dunga e ao memso tempo tão presentes em nossos corações. Pode ser.
Os outros acho difícil. Luis Fabuloso, como o próprio nome descreve, tem talento inquestionável na arte de balançar as redes. Não na de encantar. Os demais queridinhos da nação são zagueiros:. Lucio, Maicon e Julio Cesar. Pouco demais para quem já teve Ronaldos, Rivaldo, Bebeto, Romário.
Para finalizar, só gostaria de deixar claro que não vejo nenhum problema com a escalação do nosso treinador. Todos que ali estão tem potencial e batalharam para verem seus nomes nesse marcante 11/05/10. Me incomoda somente o quão amarrado e dependente de contra-ataques promete ser nosso jogo e o quanto distantes somos nós, brasileiros mortais e fanáticos por futebol, desses que nos irão representar.
Espero que um ou vários possam criar em mim novamente esse sentimento de “tremedeira' que os grandes craques dão antes de qualquer jogo. Aliás, Neymar, Ganso e Gaúcho não seriam garantias de que nos proporcionariam esse sentimento, mas certamente estariam mais perto não só pelo potencial, mas também pelo espaço que já possuem em nossos corações e principalmente pela relutância que certamente seriam menores do que com os 23 escolhidos. Afinal, o clamor não era banal. Só queremos com a Amarelinha aqueles que admiramos.
Aos que já estão me criticando e me chamando de anti patriótico, segue um pensamento. Reflita um pouco e pense se você vai preferir ver a Espanha, de Xavi e Iniesta, a Argentina, de Aguero e Messi, a Holanda, de Robben e Sneijder, ou o Brasil, a Seleção dos volantes.
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